Cetesb foi destaque no “The Wall Street Journal”, nos anos 70

”O Brasil não será a lata de lixo industrial do mundo”, declarou à publicação o ambientalista Paulo Nogueira Neto

Dando continuidade à série de matérias, enfocando marcos e histórias interessantes durante esses 50 anos de criação da Companhia, resgatamos uma notícia curiosa divulgada no “Jornal Ambiente”, em 1978. O periódico, produzido pelos jornalistas da Assessoria de Imprensa, chamava a atenção para uma matéria do respeitoso diário norte-americano “The Wall Street Journal”, destacando a atuação vigorosa do órgão ambiental paulista.

Contextualizando o leitor à época da divulgação da notícia, ressaltamos a informação contida no “Relatório de Atividades – CETESB 1977”, documento informativo e de prestação de contas anual da diretoria da Companhia, em que se registrava a preocupação com o necessário equilíbrio entre as posições extremadas de “desenvolver com poluição” ou “deter o desenvolvimento”. Comentava-se, no relatório, que o Estado de São Paulo possuía, então, um parque industrial gigantesco, enormes solicitações nas áreas de habitação, abastecimento de água, coleta de esgotos e destinação final de lixo. Também, naqueles tempos, espalhavam-se rumores de que o Brasil recebia lixo trazido da Europa por navios estrangeiros.

Assim, o “Jornal Ambiente – Ano III – n° 21” estampava em suas páginas a manchete “A atuação da CETESB é notícia nos Estados Unidos”. O informativo interno mencionava a matéria transcrita da edição do “Wall Street Journal (EUA), de 1º de novembro de 1977”, publicada com o título “Brasil torna-se forte em controle de poluição”. No texto, o jornal norte-americano afirmava que “alguns anos atrás, funcionários do governo brasileiro diziam: ‘Venham poluir-nos. Nós precisamos de indústrias’”. Mas que “agora, essa atitude mudou bastante”.

Relatava ainda que “o Estado de São Paulo, que tem a maior concentração industrial do Brasil, começou a seguir de perto os níveis de poluição e a impor controles”. E que “o seu órgão para a proteção ambiental – conhecido pela sigla CETESB, em português – começou a golpear vigorosamente as companhias que se desviam das leis”. E dava exemplos, citando várias multinacionais e setores industriais poderosos à época, e medidas de controle ambiental que vinham sendo impostas com mão forte.

Por fim, a notícia reproduzia uma declaração do então responsável pela Secretaria Especial do Meio Ambiente, do Ministério do Interior, do governo federal, Paulo Nogueira Neto, fechando questão em torno do assunto e reforçando a atuação robusta e ousada, para os padrões daqueles tempos, da CETESB. “O Brasil não será a lata de lixo industrial do mundo”, declarava Nogueira Neto, um dos pioneiros das causas ambientais no país e, atualmente, uma sumidade no assunto.