Cientistas estudam nuvens da Antártica para medir impacto das mudanças climáticas

da AFP

Cientistas chilenos participarão de uma iniciativa global destinada a caracterizar as atmosferas da Antártica e do Ártico para ver como os polos estão amplificando os efeitos das mudanças climáticas em todo o mundo e, com isso, melhorar os prognósticos meteorológicos.


A geleira Collins na Ilha do Rei George, na Antártica, em fevereiro de 2018
Foto: Arquivos/AFP

Através de balões meteorológicos lançados na Antártica, os cientistas chilenos – que fazem parte do chamado Ano da Previsão Polar (YOPP, em inglês) – medirão as propriedades ópticas das nuvens na península antártica, uma zona que está sendo muito afetada pelo aquecimento global e pelo buraco da camada de ozônio.

“É muito importante para todos entender como funciona a Antártica, porque é a única forma de prever o que vai acontecer nas próximas décadas”, explicou em coletiva de imprensa nesta terça-feira Raúl Cordero, líder do grupo de pesquisa Antártica, que trabalha no Departamento de Física da Universidade de Santiago do Chile.

Nas últimas quatro décadas, “as anomalias na atmosfera antártica induziram em todo o hemisfério sul modificações significativas nos padrões dos ventos, nebulosidade e precipitações”. “Estas mudanças afetaram significativamente o Chile”, onde, por exemplo, a quantidade de chuvas diminuiu 30% nesse período na zona centro-sul, de acordo com Cordero.

As pesquisas mostraram até agora que a Antártica está aquecendo muito mais devagar que a linha do Equador. Ao aumentar a diferença de temperatura entre ambos os pontos, intensificam-se os ventos em volta do continente branco.

Os pesquisadores esperam que a diferença de temperatura continue se estendendo como consequência das mudanças climáticas, e com isso a intensidade dos ventos antárticos, que arrastam para as costas da Antártica águas mais quentes que o normal. Essas águas estão contribuindo para acelerar o derretimento dos gelos, o que contribui para aumentar o nível do mar do mundo todo.

Só nos últimos sete anos, o nível dos oceanos subiu em média sete centímetros, e 25% deste aumento é fruto do derretimento dos gelos antárticos.

A intensidade dos ventos antárticos é parte das medições que o projeto YOPP, que é patrocinado pela Organização Meteorológica Mundial, recolherá.

No Chile, as radiossondas e balões meteorológicos serão lançados a partir de novembro deste ano até março de 2019.

Fonte: AFP/TERRA.COM > Notícias > Tecnologia & Meio Ambiente