Um país não identificado está produzindo gás CFC, banido desde 1987

por Juliana Domingos de Lima

Produção de CFC-11, o segundo mais nocivo para a camada de ozônio, havia sido reduzida praticamente a zero desde 2007, mas voltou a ser registrada


Extremidade do Planalto Antártico. Buraco na camada de ozônio está sobre a região Polar
Foto: Stephen Bannister/Wikimedia Commons

Cientistas detectaram, em meados de maio de 2018, um aumento significativo na emissão de um gás destruidor da camada de ozônio. A liberação do gás, o CFC-11, foi atribuída a um país do leste da Ásia, embora ainda não tenha sido possível identificar qual.

A descoberta revela uma violação do Protocolo de Montreal, acordo internacional assinado em 1987 em que cerca de 150 países se comprometeram a eliminar as emissões de CFC.

A adesão ao protocolo trouxe resultados concretos. Um estudo da agência espacial americana, a Nasa, publicado em janeiro de 2018, mostrou que o buraco na camada de ozônio ao redor da Terra diminuiu em relação a 2005, ano da medição anterior dos agentes químicos responsáveis pelo rombo.

A menos que o responsável seja encontrado e impedido de continuar realizando as emissões, porém, a recuperação da camada que protege a vida na terra da radiação UV pode levar uma década a mais, de acordo com uma reportagem do jornal The Guardian.

Se as emissões continuarem a aumentar, o atraso na recuperação pode ser ainda maior.

Desde 2007, a produção de CFC-11, o segundo CFC mais nocivo para a camada de ozônio, havia sido reduzida praticamente a zero.

Hipóteses
As emissões irregulares foram reveladas pelo pesquisador americano Stephen Montzka e seus colegas, responsáveis por monitorar componentes químicos presentes na atmosfera em seu trabalho na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, órgão do governo dos EUA.

O pesquisador realiza o trabalho de monitoramento há 27 anos e nunca havia observado nada parecido, segundo disse ao Guardian.

Montzka e equipe têm empreendido um trabalho de “detetives da atmosfera” para tentar rastrear a origem do gás e, com isso, conseguir barrá-la.

Algumas possíveis fontes das emissões foram investigadas e descartadas. O CFC usado na fabricação de equipamentos e na construção de prédios antes da ratificação do Protocolo de Montreal vaza ainda hoje para a atmosfera.

Mas, para explicar as taxas de emissão identificadas recentemente no leste da Ásia, a liberação do gás desses materiais antigos precisaria ter dobrado, e, de acordo com os pesquisadores, ninguém está derrubando edificações com a frequência dramática que explicaria as emissões.

A possibilidade de o CFC-11 estar sendo produzido como subproduto da fabricação de outra substância química também foi eliminada – a quantidade de gás registrado representa um aumento de 25% nas emissões globais, porcentagem muito alta para ser produto secundário de outro processo, de acordo com os pesquisadores.

A resposta encontrada é que o CFC-11 emitido está sendo, de fato,  produzido. Seus substitutos são mais caros de se fabricar.

Como o buraco se formou
O buraco na camada de ozônio está localizado sobre a Antártida. O CFC atinge a Antártida porque os gases CFC sobem para camadas mais altas da atmosfera, que são mais frias. Ali, a temperatura média é ainda inferior à da região ártica. Sob essas condições, o CFC acaba reagindo com as nuvens na altura da camada de ozônio, danificando-a.

Grande vilão no ataque à camada de ozônio, os clorofluorcarbonetos (ou CFCs) são compostos orgânicos que contêm carbono, cloro e flúor, produzidos como derivados voláteis dos gases metano e etano.

Esses gases foram sintetizados pela primeira vez nos Estados Unidos em 1928. Rapidamente, foram adotados pela indústria por seu baixo preço, facilidade de armazenamento e multiplicidade de aplicações.

Fabricantes de ar-condicionado e refrigeradores adotaram o CFC, assim como indústrias de produtos vendidos em latas de aerossol. Cinco décadas depois do nascimento do CFC, pesquisas científicas começaram a indicar que ele seria o principal responsável pela destruição da película de ozônio na atmosfera.

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