Novos cases sobre redução de gases de efeito estufa são apresentados na Câmara Ambiental de Mudanças Climáticas

Os cases de sucessos demonstram iniciativas e boas práticas realizadas por empresas aderentes ao Acordo SP no intuito de reduzir os GEE

A última reunião da Câmara Ambiental de Mudanças Climáticas, presidida por Evandro Gussi, da União da Indústria de Cana-de-Açúcar – UNICA, ocorreu virtualmente em 23/06 e teve como marco a exibição de três cases de sucesso da empresa Toyota para redução voluntária de Gases de Efeito Estufa, em concordância ao Acordo Ambiental São Paulo.

Em 2019, foi firmado, pelo Governo do Estado com coordenação da CETESB, o Acordo Ambiental São Paulo que objetiva incentivar empresas paulistas a assumirem compromissos voluntários de redução de emissão de gases de efeito estufa, a fim de conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C.

Paralelamente ao Acordo SP, em novembro de 2019, foi criada a Câmara Ambiental de Mudanças Climáticas – CAMC, no intuito de, em conjunto com entidades e empresas, definir o relato das emissões e esclarecer demais dúvidas técnicas que possam ser suscitadas pelas partes do Acordo.

Nas palavras da diretora-presidente, Patrícia Iglecias, “o Acordo Ambiental SP é uma iniciativa plural. São várias as empresas e entidades que formam um conjunto disposto a novas ações e inovações. Os cases que a TOYOTA trazidos para a Câmara Ambiental comprovam esse movimento, como também os anteriormente apresentados pela Abrava, Chemours, EcoSuporte, inpEV, Leroy Merlin, Logum, Reserva Votorantim, Tereos e UNICA”. E conclui: “mais cases serão debatidos nas próximas reuniões”.

Os três cases exibidos na reunião pela Toyota foram: 1) Projeto ReTornar – Reúso de uniformes e tecidos automotivos para confecção de brindes sustentáveis, 2) Uso de energia verde certificada, 3) Economia Circular na Cadeia de Valores.

Ayres Abe, coordenador de sustentabilidade da Toyota, explanou sobre a presença da Toyota no Brasil desde a década de 1950, com a instalação da primeira fábrica fora do Japão, em 1958, em São Bernardo do Campo. Os cases estão alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS e também com os Objetivos Desafio 2050 da empresa, que propõe reduzir a emissão de poluentes, como CO2.

O primeiro case trata do Projeto ReTornar, iniciado na unidade de Indaiatuba e mais tarde incluindo a unidade de Sorocaba. O ReTornar forma parcerias com cooperativas de costureiras para a reutilização de uniformes. É um projeto de ressignificação de materiais da indústria automotiva transformando-os em brindes sustentáveis.

“Se consegue trazer empoderamento a essas mulheres, muitas chefes de família, trazendo sustento financeiro”, diz o coordenador.

O projeto, além de autossustentável, promove a formação de costureiras. Foram formadas 253 costureiras em cursos de corte e costura, sendo 42 delas contratadas pela indústria local.

Para a Toyota, segundo Ayres, “o projeto tem um significado muito grande, que ano a ano vai aumentando, agregando parceiros”. Em 2021, a maior conquista se deu com o lançamento do site de vendas na internet (e-commerce) para melhorar a sustentabilidade e busca de novos parceiros.

O segundo case apresentado chama-se “Uso de energia verde certificada”. Desde 2015, a Toyota utiliza energia limpa (incentivada) de forma a mitigar a emissão de CO2 de suas fábricas.

A partir de 2019, com a chegada dos I-Recs (certificados de origem de energia renovável) foi feita a troca da energia incentivada por convencional com a compra de I-Recs para comprovar à origem renovável. Com isso, a “Toyota incentiva novos projetos de energia limpa no Brasil”.

O terceiro caso denomina-se ‘Economia circular na Cadeia de Valores’. “Um case que nos orgulha muito, que aconteceu em 2019 e 2020, nascido de nossos colaboradores, na iniciativa da empresa em promover a melhoria contínua dentro de seus processos”.

O projeto consiste em transformar os uniformes e EPIs, não aproveitados pelo Projeto ReTornar, em matéria-prima a ser utilizada como isolante acústico. O projeto hoje transforma aproximadamente 825 kg de resíduos têxteis por mês em produtos, retornando a linha de produção. Tornou-se o primeiro exemplo de economia circular da empresa no Brasil.

“Esse círculo de economia, de transformar os uniformes em uma peça de carro, só foi possível graças à criatividade e à insistência, da resiliência de nosso colaborador e de sua equipe”, aponta Ayres Abe.

Na reunião, sob coordenação de Josilene Ferrer, assessora da Presidência, estiveram presentes 73 participantes, representando 43 entidades. Josilene Ferrer, entre outros assuntos, reiterou o pedido de envio de novos cases para exposição nas próximas reuniões, enfatizando que cases de empresas menores são bem-vindos, como demonstração de que todos podem apresentar bons exemplos. A cada encontro serão exibidos em média dois cases.

Já foram apresentados os cases de sucesso das instituições aderentes ao Acordo SP; Leroy Merlin, Tereos, EcoSuporte, Chemours, Reserva Votorantim, Abrava, Logum, inpEV e ÚNICA, que além de trazerem resultados positivos quanto à redução dos GEE, trabalham no cumprimento do compromisso assumido no Acordo de Paris

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Texto: Cristina Leite
Printes: José Jorge