Representantes de governos regionais discutem adaptações às mudanças climáticas

Os desafios da América Latina e Caribe para enfrentar as mudanças de clima pautaram os debates do primeiro dia

O tema das mudanças climáticas já não se restringe aos técnicos e especialistas em meio ambiente desde que o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima – IPCC na sigla em inglês, divulgou em seu último relatório, em 2007, que não há mais dúvidas de que as ações humanas são responsáveis pelo aquecimento do planeta. A partir de então, as discussões a respeito do tema passaram a compor a agenda dos tomadores de decisão de governos nacionais, regionais e locais.
Diante do cenário atual, o Seminário Internacional sobre Mudanças Climáticas nos Estados e Regiões apresentou, em 22.09, as ações e os desafios dos governos regionais para enfrentar as mudanças de clima. Durante a abertura, o secretário estadual do meio ambiente, Xico Graziano, ressaltou as ações do Estado de São Paulo e a importância da troca de experiências na agenda das mudanças climáticas. “São Paulo quer ir a Copenhagen com uma política de clima com metas e compromissos. Esse encontro tem como finalidade compartilhar as ferramentas de trabalho”, declarou.

Ações locais

O presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – Cetesb, Fernando Rei, destacou o papel dos governos regionais da América Latina e Caribe. “O dia de hoje se insere na rede de governos regionais para que possamos apresentar a agenda prática em nossos países e regiões. A agenda da adaptação é o desafio do governante mais próximo da população”, apontou.

De acordo com o presidente da Organización Latinoamericana de Gobiernos Intermédios – OLAGI, Paúl Carrasco Carpio, a rede procura obter dos governos regionais propostas de combate às mudanças de clima. “Poucos governos nacionais assumem uma política de preservação, conservação do meio ambiente. Cabe à rede buscar a construção dessas políticas”, enfatizou.

Segundo o secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, Fábio Feldmann, a próxima Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP 15, que será realizada em dezembro na cidade de Copenhagen, na Dinamarca, será decisiva. “A grande expectativa em Copenhagen diz respeito à definição de metas de redução de gases de efeito estufa pelos países em desenvolvimento. Para tanto, temos que internalizar essa agenda nos nossos países”, ressaltou.

A secretária executiva do Programa Estadual de Mudanças Climáticas – Proclima, Josilene Ferrer, esclarece que o objetivo do seminário é fazer um intercâmbio de experiências e ações entre os estados da América Latina e Caribe. “O desafio da governança climática é o mesmo, mudam as particularidades. Queremos fortalecer a sensibilidade e a capacidade de ação dos governos regionais”, destacou.

Sobre o seminário

O seminário conta também, no dia 23.09, com a contribuição dos representantes da Secretaría Del Medio Ambiente y Recursos Naturales Del Gobierno Del Estado de Puebla, no México, do Gobierno Departamental de Santa Cruz, na Bolívia, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, do Fórum de Mudanças Climáticas do Paraná, da Secretaria do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina, do Fórum Bahiano de Mudanças Climáticas Globais e Biodiversidade, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo – SMA e da organização internacional sem fins lucrativos The Climate Group.

Na quinta-feira, 24.09, os participantes farão uma visita técnica ao Aterro Bandeirantes, na Zona Oeste da Capital paulista, para conhecer a planta de recuperação energética de biogás.

O encontro é promovido pela Cetesb e pela SMA, juntamente com a Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável – nrg4SD, a Organización Latinoamericana de Gobiernos Intermédios – OLAGI e o Programa Estadual de Mudanças Climáticas – Proclima, com apoio da Embaixada Britânica, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade e do The Climate Group.
Texto
Valéria Duarte

Fonte: www.ambiente.sp.gov.br/