Encontro debate o balanço de CO2 em reservatórios

Reunião técnica contou com palestras de especialistas do Ministério de Ciência e Tecnologia e da USP. Desde 1850, quando as primeiras medições de temperatura foram registradas, nenhum período foi mais quente do que entre 1995 e 2006, segundo o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês. Algumas previsões científicas apontam o aumento de 4ºC nos próximo 100 anos, e como conseqüência disso teríamos o aumento do nível dos oceanos, o derretimento das geleiras e o acréscimo da freqüência e intensidade de fenômenos climáticos extremos, como furacões.

Para reverter este quadro, ou mesmo minimiza-lo, cientistas de todo o mundo estudam e discutem cada vez mais como as ações humanas influenciam a dinâmica climática. Um consenso entre os especialistas é a necessidade mundial de se reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono. Contudo, antes de reduzir é preciso saber que atividades emitem esses gases e em quais quantidades. Esse levantamento é denominado inventário de emissões, que pode ser elaborado por governos locais, regionais e nacionais, e ainda por empresas e entidades que caminhem no rumo da sustentabilidade.

O Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa do Estado de São Paulo, que contabiliza as emissões no período de 1990 a 2008 dos setores de processos industriais, agrícolas, de pecuária, de energia, mudança no uso da terra e florestas, resíduos e efluentes, está em elaboração por especialistas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB – órgão vinculado à Secretária Estadual do Meio Ambiente.

Em 13/08, o secretariado executivo do Programa Estadual de Mudanças Climáticas – PROCLIMA organizou uma reunião técnica para debater o balanço de CO2 em reservatórios.

Os participantes assistiram às apresentações de Mauro Meirelles, do Ministério de Ciência e Tecnologia – MCT, a respeito das emissões das hidrelétricas e o inventário nacional de gases de efeito estufa, do pesquisador Bohdan Matvienko, professor aposentado da Universidade de São Paulo – USP, que comentou como é o balanço de CO2 em reservatórios.

Meirelles fez um pequeno histórico das convenções do clima e apontou como as emissões de gases pelas hidrelétricas estão contabilizadas no inventário nacional. “As estimativas de CO2 provenientes de biomassa alagada em reservatório estão contabilizadas no inventário nacional dentro da estimativa de emissões de conversão de florestas, portanto, não podem ser incluídas novamente como emissões de hidrelétricas”, esclareceu.

Para Matvienko, o objetivo inicial dos balanços de carbono nos reservatórios brasileiros era avaliar como a instalação de reservatórios altera a emissão de gases de efeito estufa e comparou os dados existentes com o mercado financeiro. “Se os bancos soubessem de dinheiro como nós sabemos de carbono, já teriam falido. O carbono faz parte da vida, por isso precisamos saber onde tem carbono, como ele se comporta e altera o ambiente”, declarou.

De acordo com a secretária executiva do PROCLIMA, Josilene Ferrer, a emissão de CO2 por reservatórios é um aspecto que precisa ser estudado. “Reunimos especialistas para debater o tema, que é bastante complexo, como parte do projeto do inventário do estado de São Paulo”, ressaltou.

A reunião técnica contou com o apoio do Departamento de Cooperação Internacional da CETESB e da embaixada britânica.

Texto: Valéria Duarte
Fonte: www.cetesb.sp.gov.br/