IPT paulista inaugura em Bertioga usina de processamento do lixo e geração de energia elétrica

do videVERSUS

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) inaugurou no último dia 6 a planta piloto de separação e tratamento de resíduos sólidos urbanos em Bertioga. O sistema, implantado no Centro de Gerenciamento de Resíduos de Bertioga, integra o projeto RSU Energia, iniciado em 2015, a partir de uma demanda da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. O intuito da iniciativa é proporcionar melhores alternativas na separação e tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU).

Na planta piloto é atendida uma área de amostragem com características específicas, no caso, o projeto abrange Vila Itapanhaú, que atende aproximadamente duas mil pessoas, com geração aproximada de duas toneladas/dia de resíduos. A partir dos resultados do projeto será possível elaborar um programa de atendimento que poderá ser estendido a qualquer município paulista, de maneira a auxiliar as prefeituras a reduzirem custos no gerenciamento dos resíduos e a utilizarem tecnologias para recuperação de materiais e aproveitamento energético. A coordenadora do projeto e diretora do Centro de Tecnologias Geoambientais do IPT, Cláudia Echevenguá Teixeira comenta a planta piloto: “A estrutura montada em Bertioga representa um sonho de uma equipe para trazer tecnologia aos municípios e melhorar a qualidade de vida”.

Preocupado com a destinação do lixo, o prefeito de Bertioga Caio Matheus destacou: “Este é um projeto não somente para Bertioga, mas para todo o Brasil. O lixo é um problema para todas as prefeituras: são altos os custos desde a coleta até a destinação final. Temos o privilégio de ter hoje a planta-piloto; os dados coletados aqui serão usados para conhecer as tecnologias adequadas para minimizar ou solucionar o problema, pois não se pode esquecer da proximidade do fim da vida útil do aterro da região”. Os recicláveis coletados serão destinados para a Cooperativa de Sucata União de Bertioga (Coopersubert), os orgânicos serão tratados por biodigestão e compostagem e os rejeitos, que são os materiais sem possibilidade de reaproveitamento, serão enviados para o aterro sanitário.

A planta de triagem mecanizada terá capacidade de processamento de 500 kg/h e poderá funcionar seis horas por dia, ou seja, a capacidade diária chegará a três toneladas por dia. Orgânicos, combustíveis derivados de resíduos (CDRs) e plásticos são os materiais estimados como as maiores volumes a serem separados por um sistema que inclui uma estação rasga-sacos e um separador magnético, entre outros equipamentos. O terceiro módulo, que será de tratamento biológico de resíduos orgânicos, empregará o método da biodigestão anaeróbia, com uma redução da massa da Fração Orgânica dos Resíduos Sólidos Urbanos (FORSU) estimada em 43%, além da produção de digestato (material fertilizante) e de biogás; finalmente, o quarto módulo inclui a instalação de um incinerador de pequeno porte com capacidade de 5 kgh-1 que poderá coletar e analisar todas as emissões (gases, cinzas e líquidos) do processo de queima para um dado resíduo.

A coordenadora do projeto finalizou: “A concepção do sistema prima pela redução de resíduos, aumento da segregação de resíduos e reciclagem. A valorização energética está sendo também contemplada nos módulos de biodigestão anaeróbia e processamento térmico de rejeitos”. Os dados técnicos gerados na planta permitirão oferecer parâmetros de desempenho e avaliação da eficiência dos processos. O sistema foi concebido visando inclusão social, sendo a triagem e a separação operada pelos trabalhadores da cooperativa local.

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