Sobre as ondas de calor no Hemisfério Norte

por Paola Bueno

Diversos países do Hemisfério Norte têm sofrido com temperaturas muito quentes nesse verão. Países que possuem um clima polar estão tendo que lidar com temperaturas de mais de 30°C, o que acende o alerta para as consequências das mudanças climáticas.


O verão do Hemisfério Norte já está sendo mais quente que o normal devido as ondas de calor
Foto: services.meteored.com

Mais uma vez as ondas de calor que assolam o Hemisfério Norte têm ganhado destaque. Países da América do Norte, Europa e Ásia registraram temperaturas muita acima do normal esperado para essa primeira metade do verão boreal, o que tem gerado graves consequências ao meio ambiente e na saúde da população.

Por definição, onda de calor se refere a um período de tempo (de pelo menos dois dias consecutivos) em que as temperaturas ficam acima do normal climatológico durante a época mais quente do ano. Elas são comuns durante o verão tanto do hemisfério norte quanto do hemisfério sul, e normalmente estão associadas a persistência de um centro de alta pressão que faz com que predomine o tempo seco e estável. Essas ondas de calor podem variar de acordo com seu período de atuação e intensidade.

Nos meses de junho e julho, tem-se observado ondas de calor muito intensas em diversas partes do planeta. Países localizados próximos ao Círculo Polar Ártico – linha imaginária no extremo norte do planeta – que estão habituados ao clima frio durante todo o ano, estão registrando temperaturas acima de 30°C! Finlândia, Noruega, Suíça, Suécia e Rússia fazem partes desses países e, além das altas temperaturas, também estão enfrentando grandes incêndios florestais. A situação é ainda mais crítica na Suécia, onde várias regiões foram evacuadas e a população foi orientada a não sair de casa devido a fumaça dos incêndios.


Incêndios florestais na Suécia (região de Karbole) podem ser vistos do espaço através de satélites
Fonte: Copernicus

Na Sibéria, o último mês de junho foi o mais quente registrado em 128 anos, com anomalias de temperatura – diferença entre a temperatura observada e a temperatura normal climatológica – que excederam 8°C. Em algumas áreas os termômetros registraram temperaturas de até 40°C, o que tem colaborado com o derretimento do gelo marinho e do permafrost – camadas do solo permanentemente congeladas.

No Canadá, mais de 50 pessoas morreram devido a uma intensa onda de calor no leste do país no início de julho. No estado americano da Califórnia diversos recordes de temperatura foram batidos, como a temperatura máxima de 48,9°C em Chino, próximo a Los Angeles, e a temperatura mínima de 26,1°C no centro de Los Angeles. No Japão o calor intenso também foi responsável pela morte de dezenas de pessoas, sem contar que nesse mesmo mês o país já sofreu com inundações que causaram a morte de mais de 200 pessoas.

As ondas de calor e as mudanças climáticas
Apesar de ainda não ser possível atribuir os eventos extremos individuais que ocorreram nesses últimos meses às mudanças climáticas, a ocorrência simultânea deles é compatível a ideia de que as mudanças climáticas têm aumentado a frequência e intensidade desses eventos ao longo dos anos.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, estudos recentes têm mostrado que a probabilidade de ocorrência desses eventos extremos está sendo influenciada pelas atividades humanas, diretamente ou não, principalmente a emissão de gases de efeito estufa, que colaboram para o aquecimento global. De 131 estudos publicados entre 2011 e 2016 pela Bulletin of the American Meteorological Society, 65% indicam essa associação entre a probabilidade de ocorrência de eventos extremos e a atividade humana.

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