Porto Alegre terá programa para reduzir produção de lixo e gerar renda com reciclagem

por Mauren Xavier, do Correio do Povo

Programa de Logística Reversa ainda está sendo elaborado, pois exige mudanças na legislação


Resíduos são responsáveis pela geração de 20% da emissão de poluentes em Porto Alegre
Foto: Ricardo Giusti/Correio do Povo Memória

Os resíduos são responsáveis pela geração de 20% da emissão de poluentes na Capital gaúcha. Para tentar amenizar os impactos e reduzir esse percentual, a prefeitura de Porto Alegre pretende lançar até o final do ano o Programa de Logística Reversa. A ideia, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Maurício Fernandes, é reduzir a produção de lixo e, ao mesmo tempo, gerar renda.

Segundo ele, se a cadeia de reciclagem funcionasse efetivamente na Capital (com o cidadão separando o lixo e o mesmo sendo recolhido e levado para as unidades de triagem) geraria uma receita em torno de R$ 107 mil por dia. Ele adiantou que o projeto está sendo formatado, uma vez que envolve uma série de ações para ser efetivado, incluindo mudanças na legislação.

Eletrônicos com destino sustentável
O conceito da logística reversa é gerar menos resíduos, tornar o processo mais eficiente, com menos uso de matéria-prima e gerando mais renda. Na prática, por exemplo, quem produz é responsável por receber o que sobrou do produto e dar a destinação adequada ao resíduo, como a reciclagem.

O Programa de Logística Reversa é uma das ações concretas da participação da Capital no projeto internacional Urban Leds II: Acelerando a Ação Climática por meio de Estratégias de Desenvolvimento de Baixo Carbono, que envolve 60 cidades no mundo. Porto Alegre é uma das oito brasileiras incluídas no projeto. Os projetos para a capital foram discutidos durante seminário, nesta quinta-feira, em Porto Alegre, no auditório do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

“Precisamos ter um mundo mais sustentável, porque o mundo precisa. Essa é uma questão urgente”, afirmou o secretário-executivo para América do Sul do Iclei (rede global voltada à sustentabilidade), Rodrigo Perpétuo. Para ele, a mudança global em relação às questões ambientais passam pelo envolvimento e ação dos municípios, por isso, é fundamental fortalecer essas iniciativas. O Iclei tem sido fundamental para a inserção da cidade nesse rol de ações, inclusive auxiliou na elaboração do 1º Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, que identificou, entre outras coisas, o perfil da emissão de poluentes. Na Capital, 66% é produzida pelo transporte; 20% pelos resíduos e 14% pela energia. Essa ação integrou a Urban Leds I, entre 2012 e 2016. Agora a fase II é voltada ao desenvolvimento de ações para combater essas emissões.

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