Substâncias miraculosas

No início dos anos setenta começaram a ser expressas as preocupações de que a camada de ozônio fosse vulnerável a danos causados pela liberação de produtos químicos conhecidos como halocarbonos, compostos que contêm cloro, flúor, bromo, carbono e hidrogênio. Acreditava-se que as substâncias destruidoras de ozônio mais comum (ODS) eram as da família dos clorofluorcarbonos, ou CFCs, produzidos pela primeira vez na Bélgica em 1892. Os químicos da General Motors, nos Estados Unidos, descobriram em 1928 que os CFCs eram fluídos de refrigeração eficientes. Por serem estáveis e não-tóxicos, de produção barata, fáceis de estocar e altamente versáteis, os CFCs provaram ser uma gama de produtos químicos industriais de imenso valor. Eles passaram a ser usados em refrigeração, condicionamento de ar e expansão de espumas, como solventes, esterilizantes e propelentes de aerossóis. Usos importantes para os CFCs foram encontrados a cada década, e a produção mundial, concentrada em grande parte nos Estados Unidos e na Europa ocidental, dobrou a cada cinco anos a partir de 1970. À medida que o conhecimento científico se desenvolveu, outras famílias de produtos químicos – halons, tetracloreto de carbono, metil clorofórmio e brometo de metila – também passaram a ser identificados como destruidores de ozônio. Alguns dos últimos substitutos para CFC desenvolvidos também prejudicam a camada de ozônio, mas em taxas bem menores.A estabilidade dos CFCs origina as suas propriedades destruidoras de ozônio. Quando liberados para a atmosfera mais baixa – por exemplo através do uso de um spray aerossol, ou de um solvente para limpeza, ou ainda pelo vazamento de um refrigerante – os CFCs persistem tempo suficiente para se difundirem até a estratosfera, onde são degradados pela radiação solar, liberando átomos de cloro, que reagem fortemente com as moléculas de ozônio. O óxido de cloro formado então sofre outras reações que regeneram o cloro original, permitindo que o processo se repita muitas vezes; estima-se que cada átomo de cloro possa destruir 100.000 moléculas de ozônio antes de ser removido da estratosfera. Embora a radiação UV recrie continuamente ozônio a partir de oxigênio, a presença de cloro acelera a destruição do ozônio mas não a sua formação, reduzindo a concentração total de ozônio. Reações semelhantes ocorrem entre bromo e ozônio.

2. O “Buraco” na Camada

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