Agência ambiental paulista é candidata a centro de referência para POPs

A ONU – Organização das Nações Unidas, por intermédio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, vai realizar em Montevidéu, no Uruguai, de 5 a 9 de setembro, mais um encontro para avaliar a capacidade existente nos laboratórios dos países em desenvolvimento e as necessidades para atender as demandas de análise de Poluentes Orgânicos Persistentes – POPs. O Ministério do Meio Ambiente, além de solicitar que a CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental o represente nesse encontro, também a indicou como a instituição brasileira candidata a Centro de Referência para os POPs na América do Sul e Caribe.

A gerente da Divisão de Análises Físico-Químicas, Cacilda Jiunko Aiba, que irá representar a CETESB no evento, explicou que, de todos os parâmetros listados na Convenção de Estocolmo para terem seu uso banido por todos os países signatários – hexaclorobenzeno, chlordane, heptacloro, DDT, Mirex, toxapheno, dieldrin, aldrin, endrin, PCB, dioxinas e furanos -, a agência ambiental não tem, no momento, condições de realizar análises apenas das duas últimas substâncias.

Já possui, no entanto, o equipamento necessário, recebido por meio de um projeto de cooperação internacional com a Japan International Cooperation Agency – JICA, órgão do governo japonês. O prédio, cujo projeto descritivo também está pronto, deverá ser construído no próximo ano, constituindo-se no primeiro laboratório governamental brasileiro para dioxinas e furanos. Para a realização dessa obra, a CETESB contará com parte dos custos financiados pelo Ministério do Meio Ambiente.

Com relação aos POPs, os laboratórios da CETESB estão capacitados para realizar análises de água, efluentes industriais, sedimentos, solo, peixe e organismos bivalves (ostras e mexilhões), entre outros. Mas, segundo Cacilda, o projeto que vem sendo desenvolvido pelo PNUMA para o Programa de Monitoramento Global de POPs, incluindo a região da América do Sul e Caribe, prevê também a análise em matrizes como ar, ovos de pássaros e leite materno.

Texto
Eli Serenza
Fotografia
José Jorge