Regime de chuvas, em 2015, ajudou a melhorar qualidade das águas em SP

Como ocorre todos os anos, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) apresenta nesta segunda-feira, 20/6, o Relatório de Qualidade das Águas Superficiais do Estado de São Paulo 2015, trazendo a análise de dados coletados em mais de 400 pontos de monitoramento distribuídos em rios e reservatórios paulistas.

O documento traz resultados de análises físicas, químicas e biológicas de mais de 50 parâmetros de amostras coletadas a cada dois meses, ou em prazos mais dilatados nos corpos hídricos mais bem preservados.

Um dos pontos destacados no relatório foi a incidência de chuvas em 2015, as quais, embora com distribuição irregular, foram superiores a 2014, mostrando-se ligeiramente acima da média dos 20 anos anteriores. Isso contribuiu para a recuperação dos níveis do Sistema Cantareira, composto pelos reservatórios de Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Juqueri, que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo.

Nesse cenário, o Índice de Qualidade das Águas (IQA), que avalia o impacto do lançamento de esgotos domésticos nos corpos hídricos, apresentou uma melhora em relação ao ano anterior, inclusive nos pontos monitorados no reservatório Billings, atualmente utilizado para reforço no abastecimento dos sistemas Alto Tietê e Guarapiranga.

A qualidade da água bruta nos pontos de captação dos sistemas Cantareira, Rio Grande e Guarapiranga, segundo o Índice de Qualidade das Águas para Fins de Abastecimento – IAP, manteve-se em 2015 nas categorias Boa e Ótima.

Em contrapartida, esse índice, nas demais regiões do Estado, mostrou uma piora, em consequência da maior pluviosidade registrada, especialmente nos meses de março, setembro e novembro, ampliando o impacto negativo da carga difusa, representada pelo carreamento de resíduos pelas águas das chuvas.

Toxicidade

O número de células de cianobactérias também influenciou negativamente os resultados do IAP, em 2015. Contudo, nos reservatórios dos sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, a concentração de microcistinas e saxitocinas – toxinas produzidas por alguns gêneros cianobactérias – manteve-se inferior ao padrão de potabilidade de 1 micrograma/litro ao longo do ano.

Outro dado que revelou uma tendência positiva, em 2015, foi o Índice de Proteção da Vida Aquática – IVA, que considera a influência das variáveis químicas e ecotoxicológicas na qualidade dos ambientes para os organismos aquáticos. Esse índice, em 67% dos pontos monitorados, teve classificação nas categorias Ótima, Boa e Regular. Houve também uma pequena melhora, em termos ecotoxicológicos, o que pode estar relacionado ao fato de ter sido um ano mais chuvoso.

Nos últimos três anos, porém, a qualidade da água dos corpos hídricos monitorados apresentou elevado grau de eutrofização em decorrência do aporte de fósforo total, especialmente nos reservatórios Billings, Rio Grande, Guarapiranga, Barra Bonita e Rasgão, localizados em regiões com vocação industrial. Dessa forma, considerando-se a escassez de mananciais para abastecimento público em regiões mais urbanizadas, tornam-se necessárias a continuidade e a ampliação de investimentos em unidades de tratamento para remoção do fósforo total, bem como a implementação de ações integradas de prevenção e controle da poluição difusa.

Um aspecto favorável reside no fato de que o Estado de São Paulo atingiu, em 2015, um índice de tratamento de esgotos de 63%, o que representou uma redução de 4,9 % em relação a 2014 no somatório da carga orgânica remanescente lançada nos corpos hídricos pelos 645 municípios do Estado.

Águas costeiras

O monitoramento de águas salinas e salobras, que a Cetesb realiza desde 2010, aponta o Litoral Norte como a área que apresentou melhor qualidade, em 2015, confirmando resultados obtidos em anos anteriores. As porcentagens de áreas classificadas como Ótima foi de 15%, sendo elas Picinguaba, Baía de Caraguatatuba e Canal de São Sebastião. As áreas classificadas como Boa foram 40%, sendo seis no Litoral Norte e uma em cada uma das outras regiões.

As maiores alterações na qualidade das águas foram observadas no Estuário de Santos e São Vicente, sendo que a única área classificada como Péssima foi o Canal de São Vicente. O Canal de Santos e a área de influência do emissário de Santos foram bastante prejudicados, com as águas classificadas como Ruins. Nesses ambientes, em sua maioria salobros, os principais parâmetros responsáveis pela piora da qualidade foram as altas concentrações de fósforo e clorofila a, além de baixos teores de oxigênio dissolvido.

Além disso, foram registradas não conformidades para o carbono orgânico total, fósforo e contaminação microbiológica, indicando poluição principalmente por esgotos domésticos. Deve-se considerar, também, que na região do Estuário de Santos e São Vicente existe grande influência do polo industrial e das atividades portuárias.

Em 2015, foi observada uma pequena piora na qualidade das águas costeiras com diminuição das áreas Ótimas e Boas, e com aumento das áreas classificadas como Regular. Entretanto, houve manutenção da porcentagem de Ruins e diminuição de Péssimas.

Em relação à qualidade química dos sedimentos, mais de 94% das áreas analisadas foram classificadas como Boas ou Ótimas, apesar da pequena piora observada neste ano. No que se refere à toxicidade desses sedimentos foi registrada uma ligeira piora no Litoral Norte com os pontos sem toxicidade caindo de 62,5% para 50%.

A Baixada Santista não mostrou muita variação, mas apontou tendência de melhora nos últimos três anos, apresentando, respectivamente, valores de 35%, 40% e 43% dos pontos sem toxicidade. Já o Litoral Sul que havia registrado apenas 25% de pontos sem toxicidade, em 2014, mostrou melhora retomando os 50% de anos anteriores.