Protocolo Etanol Mais Verde indica resultados com benefícios para a saúde da população

Divulgação dos resultados do programa contou com a participação da diretora-presidente da CETESB.

“O benefício para a saúde das pessoas é enorme!” Com essas palavras, a diretora-presidente da CETESB, Patrícia Iglecias, enfatizou a importância dos resultados extremamente positivos do Protocolo Etanol Mais Verde, apresentados pelo secretário Gustavo Junqueira, em evento transmitido virtualmente pelo canal oficial da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento no YouTube.

Participaram do debate o secretário estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, o presidente da UNICA, Evandro Gussi, e o secretário executivo da Orplana, Denis Arroyo.

Entre outros dados divulgados do Etanol Mais Verde, que sucedeu aos outros protocolos agroambientais estabelecidos desde 2007 entre o Governo do Estado de São Paulo e o setor sucroenergético, destacaram-se os 4,4 milhões de hectares atualmente compromissados com boas práticas agroambientais pelas signatárias do acordo, 130 no total, sendo 117 usinas, mais 13 associações – compostas por mais de 5 mil fornecedores de cana.

Saltou aos olhos o cálculo da emissão evitada de CO2eq – CO2 equivalente – e de poluentes atmosféricos, em razão da redução da queima nos canaviais desde 2007, de mais de 11,8 milhões de toneladas de CO2eq e de 71 milhões de toneladas de monóxido de carbono, material particulado e hidrocarbonetos.

Outros dados que chamaram a atenção foram os referentes à proteção e à restauração de áreas ciliares – mais de 132 mil hectares de áreas ciliares e 7.315 nascentes, tendo sido produzidas e plantadas quase 3 milhões de mudas de árvores nativas – e à cogeração de energia elétrica – 17,43 milhões de MWh produzidos na safra atual, sendo 9,97 milhões de MWh exportados para a rede de distribuição elétrica.

Os resultados das ações socioambientais, da conservação e do reúso da água, do controle biológico de pragas e da prevenção e do combate a incêndios florestais também são bastante consistentes e podem ser conferidos neste link, da Secretaria da Agricultura: youtube.com.br/agriculturasp.

Para Patrícia Iglecias, os avanços obtidos atestam o lado técnico da CETESB, mas, muito mais, os esforços do próprio setor sucroenergético. “Nós costumamos dizer que, neste setor, temos questões que dizem respeito à área agrícola, ao uso do fogo, à própria aplicação de vinhaça. Temos também questões do ponto de vista das emissões, dos efluentes, ou seja, da parte mais industrial, porém tudo isso foi sendo equacionado com o tempo. E esse Protocolo, na verdade, essa ideia de ter um protocolo, foi uma iniciativa pioneira de São Paulo e foi trazendo benefícios com o passar do tempo”, ponderou.

Para a dirigente, “essa é a grande ideia, programas que sejam, na verdade, de Estado, não de Governo. Então, esses dados das emissões evitadas mostram claramente um benefício para a saúde das pessoas. E esse benefício se reflete em números. Para facilitar o entendimento dos números apresentados, podemos afirmar, por exemplo, que dentro desse patamar de milhões de hectares plantados, reduzindo-se a queima autorizada, vamos chegar a um patamar atual que é equivalente a 206 mil ônibus, a menos, circulando durante um ano. E isso, sem considerar a redução da emissão de monóxido de carbono, de material particulado e de hidrocarbonetos”.

Ela lembrou a questão da destinação de vinhaça e do problema da mosca-de-estábulo, surgido da diminuição drástica da queima, mas solucionado com avanços tecnológicos e a redução e aplicação direcionada do produto no solo, e arrematou: “O licenciamento tem que evoluir de acordo com as evoluções tecnológicas e, portanto, tem que ser um licenciamento dinâmico, tem que acompanhar o dinamismo do setor envolvido. E é isso que nós sentimos no setor sucroenergético, que tem propiciado esses avanços no licenciamento”.

Finalizou sua participação, mencionando, como um avanço significativo e recente, o Acordo Extrajudicial celebrado pela CETESB com as principais entidades representativas do setor, observando que, de tão inovador e positivo, o acordo foi homologado pela 2ª Câmara de Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo, de quem recebeu elogios, entre outros, pelo fato de reduzir ou eliminar a judicialização dos casos envolvendo infrações e autuações por queima.

E concluiu: “O Estado de São Paulo quer ver o avanço dos setores produtivos, com sustentabilidade, sim, do ponto de vista ambiental, do ponto de vista social e também do ponto de vista econômico”.

O secretário Marcos Penido também comemorou a divulgação dos resultados do Protocolo. “Essa história é linda! Os números são consequência de um bom trabalho, de uma boa ideia, de uma boa vontade, no setor do governo, no setor de meio ambiente e no setor produtivo, que somaram esforços e providências, para buscar uma convivência que fosse melhor para todos”. Segundo o secretário, os números apenas referendam o sucesso do programa: “É um projeto que faz São Paulo se orgulhar, não só por todo zelo que tem pelo meio ambiente, mas da responsabilidade que o setor produtivo tem do compromisso socioambiental”.

Por seu lado, Denis Arroyo informou que a discussão do momento na Orplana é sobre a importância dos critérios ASG – ambiental, social e governança corporativa –. Sobre o Etanol Mais Verde, disse que vê o Protocolo como resultado de melhorias contínuas e do trabalho em conjunto. “Deixamos de apontar os dedos e nos demos as mãos”, declarou, afirmando que o setor tem sido ouvido pela CETESB. Olhando para o próprio setor que representa, avalia que a evolução tecnológica “foi absurda” e que, afinal, se chegou a uma agricultura mais racional e mais balanceada.

Já Evandro Gussi, discorrendo sobre o futuro e os próximos desafios, afirmou que o Protocolo Etanol Verde forneceu as bases necessárias “para esse futuro que somos convidados a entrar. Estamos cada vez mais na indústria da sustentabilidade, ou seja, sustentabilidade como negócio. O Brasil é uma usina de descarbonização e de sustentabilidade. Encontramos ativos onde há alguns anos tínhamos passivos. Temos resíduos sendo transformados em biogás. O futuro aponta para a eficiência energética e produtiva. Somos a primeira agroindústria do Brasil, a prateleira de cima da sustentabilidade e da produtividade”, festejou.

Texto: Mário Senaga
Revisão: Cristina Leite
Printes: Pedro Calado
Programação Visual: Kissy Harumi.