CETESB desenvolve método para detectar metilmercúrio em peixes

O metilmercúrio é uma das formas mais tóxicas do mercúrio e sua identificação e quantificação dará suporte ao monitoramento, fiscalização e licenciamento ambiental

O metilmercúrio é uma das formas mais tóxicas do mercúrio. Crianças cujas mães foram expostas a altas concentrações do poluente apresentaram anomalias no seu desenvolvimento e paralisia cerebral. No meio ambiente, o mercúrio está presente em diferentes formas químicas, como mercúrio inorgânico, sendo que nos sedimentos, sob determinadas condições, se transforma em metilmercúrio. Assim, num ambiente aquático contaminado, os peixes que se alimentam do substrato do sedimento, ou pelas suas brânquias, acumulam o poluente, introduzindo-o na cadeia alimentar.

Dada sua relevância em termos de meio ambiente e importância à saúde pública, para a CETESB, como Centro Regional da Convenção de Estocolmo para Assistência Técnica e Transferência de Tecnologia para os Países da América Latina e Caribe, e que trabalha sinergicamente com as Convenções de Basileia, Roterdã e Minamata – esta última, específica de mercúrio, visando a minimização e eliminação da substância e seus compostos – , tornou-se uma necessidade desenvolver, validar e implementar métodos para identificação e quantificação de metilmercúrio, com a finalidade de dar suporte aos programas de monitoramento, fiscalização e licenciamento ambiental da Companhia.

“Nesse sentido, como trabalho pioneiro focando as questões analíticas, foi proposto o projeto FEHIDRO 2012-AT-603, cujo objetivo principal foi diagnosticar a contaminação ambiental por metais pesados em amostras de peixes dos reservatórios Billings e Guarapiranga. Por meio de recursos financeiros obtidos neste projeto, foram realizadas a adequação do laboratório de análise instrumental do Setor de Análises Toxicológicas e a aquisição de modernos equipamentos que traduzem o estado da arte no campo da instrumentação analítica. Hoje, na CETESB, investigar as concentrações de metilmercúrio em amostras de peixes já é uma realidade”, destacou Gilson Alves Quináglia, gerente do Setor de Análises Toxicológicas, do Departamento de Análises Ambientais da Companhia. Ele antecipou que, no próximo mês de setembro, serão divulgados ao público os resultados, em evento a ser realizado na sede da CETESB.

E arremata: “Devido aos altos custos e complexidade analítica, esta tarefa foi um grande desafio para os analistas. O método baseia-se na técnica de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC), para separar o metilmercúrio, combinada com a técnica de Espectrometria de massa por plasma acoplado indutivamente (ICP MS), para sua quantificação”.

Mercúrio

O mercúrio, cujo símbolo é Hg, ocorre no meio ambiente, proveniente de atividades vulcânicas e ocorrência natural no solo, mas seu principal aporte se dá por fontes antrópicas, como deposição atmosférica de indústrias de cloro-álcali, queima de combustíveis fósseis, lâmpadas fluorescentes, cosméticos, garimpos, amálgamas dentárias, pilhas, baterias e inúmeros produtos eletroeletrônicos.

O caso mais emblemático de contaminação humana por metilmercúrio ocorreu na cidade de Minamata, no Japão, nos anos 1950. Em outubro de 2013, a Convenção de Minamata, um tratado internacional multilateral com a participação de 128 países, foi assinado, visando a minimização e eliminação do uso do mercúrio e seus compostos. No Brasil, este acordo passou a ter força de lei após sua ratificação, entrando em vigor em novembro de 2017, e com a promulgação pelo Decreto Nº. 9.470, de 14 de agosto de 2018.

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