Primórdios

3. Salvando a Camada de Ozônio

Primórdios

Desde a sua fundação, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente tem se preocupado com a proteção da camada de ozônio. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Estocolmo, 1972, que deu origem ao UNEP, abordou o tópico da destruição do ozônio.

A primeira declaração de preocupação científica sobre a destruição de ozônio por CFCs veio em 1974, motivada pela descoberta de James Lovelock da presença de CFCs na atmosfera em todo o mundo. A pesquisa de Sherwood Rowland e Mario Molina (pela qual eles mais tarde receberam o Prêmio do Ozônio Global e o Prêmio Nobel de Química) pavimentaram o caminho para o atual completo entendimento dos processos pelos quais os CFCs se difundem até a estratosfera, são degradados e destruem as moléculas de ozônio.

Embora a hipótese tenha sido inicialmente controversa, a extensão e o crescimento do uso de CFCs em todo o mundo foram suficientes para disparar pedidos de ações urgentes. Em março de 1977, especialistas de 32 países se encontraram nos Estados Unidos em Washington D.C. para adotar o “Plano Mundial de Ação sobre a Camada de Ozônio”. O Plano incluía pesquisa sobre os processos que controlam as concentrações de ozônio na estratosfera; o monitoramento do ozônio e da radiação solar; o efeito da destruição do ozônio sobre a saúde humana; ecossistemas e clima; e o desenvolvimento de maneiras de avaliar os custos e benefícios das medidas de controle. O UNEP foi a agência coordenadora, auxiliado pelo Comitê de Coordenação sobre a Camada de Ozônio, composto por especialistas de agências intergovernamentais, governos e indústrias.

Nos Estados Unidos, o encontro em Washington D.C. reforçou as preocupações já existentes sobre o impacto das emissões de aeronaves supersônicas. Uma campanha pública eficiente levou a regulamentações proibindo o uso de CFCs como propelentes de aerossóis em aplicações não essenciais em 1978; o Canadá, a Suécia e a Noruega logo fizeram o mesmo. Como resultado, a produção de CFC-11 e -12 nos Estados Unidos caiu de 46% do total mundial em 1974 para 28% em 1985. Propelentes alternativos foram rapidamente introduzidos e freqüentemente se provaram mais econômicos do que os CFCs originais. Após 1982, entretanto, a produção de CFC nos Estados Unidos começou a se acelerar mais uma vez, uma vez que o uso em condicionamento de ar de veículos e expansão de espumas cresceu acentuadamente.

Em 1980 a Comunidade Européia concordou em congelar a capacidade de produção de CFC-11 e -12 e reduzir o uso em aerossóis em pelo menos 30% dos níveis de 1976 até o final de 1981. Uma vez que a capacidade de produção da Comunidade Européia (CE) era naquele tempo maior que os níveis de consumo, um congelamento da capacidade não contribuiu muito para o controle das emissões de CFC. O efeito combinado das diversas medidas tomadas, entretanto, foi suficiente para reduzir a pressão pública por mais controles. O UNEP foi deixado com a responsabilidade de manter a questão da destruição do ozônio na pauta internacional.