Setor de graxaria moderniza processos para amenizar impactos ambientais

O setor de graxaria, que processa 8,8 milhões de toneladas/ano de subprodutos de abatedouros e frigoríficos, gera uma receita que chega aos R$ 3,5 bilhões exibindo um vigor próprio de um país que possui o maior rebanho bovino do mundo e se posiciona em terceiro e quarto lugares na produção de aves e de suínos.

Um pouco desse sucesso foi mostrado, nos dias 25 e 26.03, durante o IX Workshop sobre Subprodutos de Origem Animal e a V FENAGRA – Feira Nacional de Graxarias, organizados pelo Sindicato Nacional dos Coletores e Beneficiadores de Subprodutos de Origem Animal – SINCOBESP, no auditório da Fecomércio, em São Paulo.

O presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB, Fernando Rei, que participou da solenidade de abertura da FENAGRA salientou a importância do evento, no qual a agência ambiental instalou um estande para divulgar ações de controle da poluição distribuindo, entre outros materiais, o Guia Técnico Ambiental – Série Produção + Limpa, para difundir práticas para reduzir o consumo de insumos como energia e água, otimizar os processos produtivos gerando, por conseqüência, a geração de menos resíduos.

Poluição

O setor de graxaria, que processa matérias-primas como sangue, ossos, cascos, chifres, gorduras, aparas de carne, vísceras e animais condenados pela inspeção sanitária, para a fabricação de sabões, sabonetes e insumos para a indústria química, além de farinhas de proteína e de cálcio de origem animal e adubos, apresenta um elevado potencial poluidor.

No entanto, aproximou-se da CETESB nos últimos anos, participando da Câmara Ambiental do Setor de Abate, Frigorífico e Graxaria criada pela agência ambiental para promover a articulação entre o órgão de controle e o setor produtivo, para discutir questões como o consumo de água que chega a 30 litros por ave abatida ou 850 por um suíno ou por um bovino. Em média, de 80 a 95% da água consumida é descarta como efluente líquido com alta carga orgânica.

Outro grave problema ambiental é a emissão de substâncias odoríferas, decorrente do processo de cozimento ou digestão da matéria-prima utilizada, resultando na formação de compostos como gás sulfídrico, sulfetos de metila e dimetila, mercaptanas, di- e tri-metilamina, dimetilpirazinas, butilamina, amônia, escatol e outros.

Por esse motivo, o presidente da SINCOBESP, Gustavo Razzo Netto, enfatizou o conceito da reciclagem em sua fala na abertura da FENAGRA. Disse que “a feira não é só uma exposição de equipamentos do setor, mas a demonstração do que procuramos fazer, buscando a modernidade nas operações em termos de conservação, adotando métodos ambientalmente corretos para evitar conflitos entre a sociedade e o setor produtivo.”

O empresário informou, ainda, que a entidade está se filiando a uma associação internacional, o que, na opinião de Fernando Rei, é positivo, pois o mercado importador também vai agregar exigências, somando-se às que a CETESB já impõe ao setor.

Palestra

Em 26.03, o gerente do Setor de Produção e Consumo Sustentáveis, da CETESB, José Wagner Faria Pacheco fez uma palestra sobre o tema Produção + Limpa, mostrando como a agência ambiental atua junto às indústrias do setor de graxaria.

“As graxarias, disse, como fontes fixas potenciais de poluição são objetos de ações da CETESB, primeiro, de caráter preventivo, na fase de licenciamento ambiental da atividade, e depois, de caráter corretivo, por meio de fiscalização das fontes de poluição”.

O especialista lembrou que o diálogo é fundamental para potencializar e melhorar o resultado dessas ações, tendo a Câmara Ambiental como um importante instrumento para essa finalidade, permitindo o encaminhamento de problemas e a busca de soluções de forma conjunta. É desse diálogo que resultam trabalhos como os Guias Ambientais de Produção + Limpa, um dos quais é destinado ao setor de graxaria, apresentando as boas práticas de caráter preventivo.

“O setor de graxaria, certamente, já pode relatar algumas experiências bem sucedidas de Produção + Limpa”, afirmou.

Texto
Newton Miura
Foto
Pedro Calado