Fatores que influem no grau de impacto

Tipo e quantidade de petróleo
Óleos leves são altamente tóxicos, devido à presença de maiores quantidades de compostos aromáticos, enquanto que óleos pesados e mais densos são pouco tóxicos, mas causam impacto físico de recobrimento. A intensidade do impacto e tempo de recuperação tendem a ser diretamente proporcionais à quantidade de óleo derramado, ou presente em um ambiente ou local restrito.

Amplitude das marés
A amplitude das marés na época do derrame é um fator importante a ser considerado. Derrames que ocorrem durante as marés de sizígia (marés vivas), de maior amplitude, atingem áreas muito mais extensas da zona entre-marés do que nas marés de quadratura (marés mortas). No entanto, o movimento contínuo de subida e descida das marés atua como um importante fator de limpeza natural.

Época do ano
As flutuações sazonais (ligadas às estações do ano), causam consideráveis variações na estrutura e composição das comunidades biológicas costeiras. Portanto, estes aspectos podem diferir consideravelmente por exemplo no verão e inverno, em um mesmo local. Conseqüentemente, a época em que ocorrem os derrames é importante, principalmente quando se envolvem processos subseqüentes de sucessão ecológica nas áreas impactadas, os quais podem ter cursos diferentes temporalmente. Épocas de reprodução coincidentes com os derrames podem gerar grandes impactos nas populações, a curto ou médio prazo.

Grau de hidrodinamismo
O grau de hidrodinamismo de um local é determinado pela quantidade, intensidade e força das ondas e correntes que atuam no ambiente. Locais com elevado hidrodinamismo, tendem a dispersar o óleo rápida e eficientemente, fazendo com que o impacto de um derrame de óleo seja reduzido ou mesmo não perceptível. Nestes ambientes, o óleo permanece no ambiente por poucos dias. Já nos ambientes abrigados da ação das ondas e correntes, o petróleo tende a permanecer por muitos meses, ou anos, impedindo que a comunidade biológica se recupere.

Hidrodinamismo

Hidrodinamismo

Ciclo construtivo-destrutivo do ambiente
O ciclo das praias arenosas, representado pela entrada e saída de areia em diferentes épocas do ano, também é um fator importante no grau de impacto do petróleo nestes ambientes. Em um derrame que aconteça na fase construtiva da praia (entrada de areia), o petróleo pode sofrer um processo de soterramento pelo sedimento, dando, inclusive, a impressão de que a praia está limpa. No entanto, o petróleo encontra-se centímetros (até 1 metro ou mais em algumas praias) abaixo da areia, e tende a recontaminar o ambiente com a chegada do ciclo destrutivo, onde ocorre a retirada natural de grande quantidade de sedimento.

Existem também situações onde praias, devido às características geográficas da região, são tipicamente erosionais ( com constante retirada de areia), e outras deposicionais, sendo que o impacto esperado nas primeiras é menor, uma vez que a limpeza natural deve ser mais efetiva.

Tipo de substrato
O substrato pode ser dividido em consolidado e não consolidado. Os substratos consolidados são as rochas que formam os costões, matacões e praias rochosas e de seixos. Neste caso o óleo pode permanecer aderido ao substrato afetando diretamente a comunidade ali presente. Nos substratos não consolidados, formados pelas areias e lodos, o petróleo pode penetrar verticalmente no sedimento, atingindo camadas mais profundas. Neste caso, a regra é que quanto maior for o tamanho do grão (conseqüentemente maior o espaço entre os mesmos), maior a penetração do óleo no sedimento, podendo atingir várias dezenas de centímetros. Praias de areia fina e lodo, são as que resistem mais à penetração do óleo. Outras características do sedimento também interferem na capacidade de penetração, que são o grau de selecionamento e a angulação das partículas de areia.

Tipo de comunidade
O grau de impacto do petróleo derramado em um ambiente também vai depender do tipo de comunidade ali presente. Ambientes mais estáveis são mais ricos em espécies sensíveis e tendem a sofrer grande impacto, como costões rochosos abrigados e praias lodosas. Ambientes muito dinâmicos com elevado stress físico, tendem a ter espécies mais resistentes, e menor diversidade. Estas espécies podem resistir mais ao impacto do óleo. Espécies animais com conchas e carapaças externas , são mais resistentes pois a superfície do corpo não entra em contato direto com o petróleo (exemplos são as cracas, mexilhões e ostras).

Costão rochoso submerso - elevada biodiversidade

Costão rochoso submerso – elevada biodiversidade

Exposição prévia a outros impactos
Ambientes com presença de impactos crônicos tendem a apresentar comunidades biológicas perturbadas e desestruturadas, com baixa diversidade. Estas comunidades estão sob elevada pressão de stress e em constante processo de recuperação. As espécies em contato constante com poluição crônica ficam mais sensíveis aos impactos agudos , e outros estresses, do que em ambientes não poluídos.

Formas de limpeza aplicadas ao derrame
Muitas das formas de limpeza são eficientes na retirada do óleo do ambiente (como foi visto anteriormente), mas causam grande impacto na comunidade biológica, muitas vezes piores que o do próprio petróleo. Portanto, a forma de limpeza também é um fator relevante ao se considerar o grau de impacto de um derrame de petróleo.