Limpeza de ambientes costeiros

Comumente as ações realizadas em mar apresentam moderada eficiência; apenas parte do óleo derramado é contida e removida do mar. Dependendo do local do derrame, a chance de ambientes costeiros serem atingidos é muito grande e quando isso ocorre, estratégias de limpeza devem ser utilizadas. Cabe ressaltar que a grande maioria destes métodos causa algum tipo de dano adicional, podendo gerar impactos maiores que os do próprio petróleo. A escolha da(s) técnica(s) mais adequadas a serem utilizadas é então crucial para a minimização dos danos ecológicos nos ambientes atingidos.

É fundamental que qualquer procedimento de limpeza a ser aplicado se faça após o óleo ter sido, pelo menos em grande parte, retirado das águas próximas aos locais atingidos. De outra forma, ambientes recentemente limpos podem vir a ser novamente contaminados, sendo necessária a reutilização dos procedimentos de limpeza, podendo acarretar danos à comunidade já perturbada pelo óleo e pela manipulação de limpeza. Além disso, mais resíduos são gerados desnecessariamente.

Absorventes
Produtos com propriedades oleofílicas, orgânicos (turfa, palha de pinho), sintéticos ou minerais. Podem se apresentar na forma granulada ou envolvidos em tecidos porosos formando “salsichões” ou “almofadas”, sendo aplicados diretamente sobre o óleo. O uso de absorventes é um método bastante útil, do ponto de vista ecológico, pois causa prejuízos mínimos ao ambiente. Diversos produtos estão disponíveis no mercado, sendo que a escolha do melhor absorvente deve ser feita criteriosamente, levando-se em conta as características do óleo, do ambiente e do próprio absorvente. Turfa vegetal e outros compostos naturais são os produtos mais utilizados nos vazamentos de óleo.

Aplicação de turfa vegetal em limpeza de praia

Aplicação de turfa vegetal em limpeza de praia

Remoção manual
Retirada manual do óleo do ambiente com utensílios como rodos, pás, latas, baldes, carrinhos de mão e tambores. Propicia o acesso e limpeza de locais restritos como fendas, poças de marés, e conjunções de rochas, bem como áreas mais extensas como praias de areia. É um método de limpeza mais trabalhoso. No entanto, causa menos danos ao ambiente. Tem comprovada eficiência em ambientes como praias e costões rochosos.

Limpeza natural
Mecanismo natural de limpeza e remoção do óleo como ondas, correntes, marés, ventos, chuvas, biodegradação, volatilização, solubilização, fotoxidação, dispersão, entre outros, atuando no ambiente atingido pelo óleo, com eficiência variável, de acordo com as características físicas do ambiente e do próprio óleo. Este procedimento é normalmente priorizado em muitos casos uma vez que não causa danos adicionais à comunidade. No entanto, normalmente, conjuga-se a este procedimento outros métodos de limpeza.

Limpeza natural

Limpeza natural

Corte da vegetação
A vegetação impregnada com petróleo pode ser retirada mecanicamente ou manualmente. Embora as experiências envolvendo corte de vegetação sejam limitadas, pode-se dizer que a eficiência desta técnica de limpeza é baixa. Utiliza-se este procedimento para macrófitas aquáticas tais como gramíneas marinhas.

Bombeamento a vácuo
O óleo é aspirado com utilização de caminhões-vácuo ou bombas-vácuo sendo que nesse caso o óleo é transferido para recipientes como tambores, “bags”, etc.

Barreiras, esteiras recolhedoras e “skimmers
Equipamentos de contenção e recolha do óleo da superfície da água. Úteis portanto em situações de acúmulo de óleo em águas adjacentes a ambientes costeiros ou canais de mangues e marismas.

Dispersantes químicos
Agentes químicos que dispersam o óleo na coluna d´água favorecendo sua degradação natural. Técnica que pode evitar a chegada do óleo em locais de maior relevância ecológica/econômica. Sua aplicação está associada à anuência do órgão ambiental competente e deve se basear em legislação vigente especifica (resolução CONAMA n° 269 de 14/09/2000).

Aplicação de dispersantes Operação TEBAR V S. Sebastião - SP

Aplicação de dispersantes
Operação TEBAR V
S. Sebastião – SP

Técnicas normalmente citadas e internacionalmente aplicadas como por exemplo jateamento a baixa e alta pressão são comprovadamente nocivas à comunidade biológica devendo ser evitadas tanto quanto possível.

Abaixo as técnicas indicadas pela CETESB para serem aplicadas nos diferentes ambientes costeira.

Ambiente
Técnica Praia Costão
rochoso
Manguezal / Marisma Recife
de coral
Substratos
marinhos
Águas abertas
águas adjacentes bosque costeiras oceânicas
Bombeamento à vacuo
Recolhimento manual
Absorventes
Limpeza natural
Barreiras, esteiras, skimmers
Lavagem com água corrente
Corte controlado de vegetação • •
Dispersantes

• • – Aplicável apenas em marismas