Aquecimento do Planeta

Mudanças climáticas

O Efeito Estufa

No final do século XVIII, o cientista suíço Horace Benedict de Saussure descobriu que ao colocar diversas caixas de vidro transparente umas dentro das outras, a temperatura aumentava das caixas maiores para as menores, isto é, de fora para dentro. Logo, o calor proveniente das radiações solares aumenta no ar contido dentro de invólucros transparentes.

Na verdade, as radiações solares atravessam com facilidade o vidro por ele ser transparente. Porém, ao refletirem no interior de uma caixa de vidro, transformam-se em radiações caloríficas e não retornam na mesma intensidade, porque o vidro é isolante térmico.

Em 1861, o físico John Tyndall descobriu que o vapor d’água e o gás carbônico, presentes na atmosfera, desempenham o mesmo papel do vidro em relação às estufas. Esses gases permitem a entrada da luz e dificultam a saída do calor, sendo os responsáveis pela manutenção da temperatura da Terra.

Outro cientista, Svante Arrhenius, Prêmio Nobel de Química, conseguiu no início do século XX, calcular esse efeito e concluiu que, se a Terra não possuísse gás carbônico, a temperatura em sua superfície seria reduzida em cerca de 21ºC. É claro que se a concentração do gás aumentasse, iria ocorrer o efeito contrário, com a elevação gradual da temperatura terrestre, fato previsto pelo próprio químico, como consequência da era industrial.

Ocorre que a energia solar chega à Terra na forma de radiação de ondas curtas. Parte dessa radiação é refletida e repelida pela superfície terrestre.

A maior parte, no entanto, passa diretamente pela atmosfera para aquecer a superfície terrestre. A Terra, então, libera essa energia, mandando-a de volta para o espaço, na forma de irradiação infravermelha de ondas longas. A maior parte da irradiação infravermelha que a Terra emite é absorvida pelo vapor d’água, pelo dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa, presentes naturalmente na atmosfera. Esses gases impedem que a energia passe diretamente da superfície terrestre para o espaço, porque processos naturais como as correntes de ar e a evaporação transportam essa energia para altas esferas da atmosfera. De lá, ela é irradiada para o espaço. É importante que esse processo seja lento porque se a irradiação fosse direta para o espaço, o planeta Terra seria um lugar frio e sem vida.

Influência humana

A revolução industrial mudou as relações entre o homem e a natureza. As atividades econômicas humanas alteraram o equilíbrio dos gases que formam a atmosfera, principalmente dos gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso. Na verdade, esses gases representam menos de 1% da atmosfera total, composta principalmente de oxigênio (21%) e nitrogênio (78%).

Porém, a intensificação das atividades humanas envolvendo principalmente a queima de carvão, petróleo e gás natural (combustíveis fósseis), além de atividades industriais e agropecuárias mudanças de uso da terra, como desmatamento de áreas florestadas tem liberado enormes quantidades na atmosfera de gás carbônico, metano, óxido nitroso e outros gases de efeito estufa.

Estudos mais recentes reunidos e publicados no Sexto Relatório (WG1-AR6) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2021) apontam ser inequívoco o papel da influência humana nas mudanças climáticas globais. Segundo o documento, o aumento médio na temperatura global em relação aos períodos pré-industriais é um fato, e isso já vem afetando todas as regiões habitadas do planeta, com a ocorrência de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e severos, como ondas de calor, chuvas intensas e secas. Esses eventos podem levar ao aumento do risco de incêndios e desastres naturais, além de impactos setoriais, quando da escassez no abastecimento de água e oferta de alimentos, por exemplo, comprometendo a segurança hídrica, alimentar, energética e social.

Atualizado em abril de 2022